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Steve Jobs

06 out

Não há como negar o impacto de Steve Jobs. Falecido nesta semana, após uma longa batalha contra o câncer, Jobs foi um gênio por ter levado ao público consumidor o trabalho de outros gênios, por ter retornado (para o bem e para o mal) o consumismo ao glamour de décadas passadas, trazendo novamente uma conexão emocional entre produto e um público que se gabava por estar vacinado quanto a esta feitiçaria do capitalismo.

Claro, um homem falho, considerado um empresários implacável e quase vilanesco (não era esse o Bill Gates? Sempre me esqueço quem é o supervilão da vez), mas que deixa um legado expressivo. Mas, para a criança que está aqui escrevendo, um dos maiores legados de Jobs, se não o maior, será a Pixar.

Durante a década de 80, o maior nome da Apple saiu de sua empresa (ou foi chutado, que seja) e aventurou-se por novas áreas, como quando comprou um pequeno departamento de animação da Lucasfilm e andou pelo mundo da animação computadorizada.

Jobs acreditou em John Lasseter e sua turma, acreditou que um bom filme se construía não só com avanços tecnológicos chamativos, mas com esmero estético ímpar e preocupação com sua trama, uma história que envolvesse tanto crianças quanto adultos.

Se os produtos da Apple atingiram o mundo reavivando o desejo consumista (chegando às raias de quase religião, separando muitas pessoas entre fiéis e odiadores) e facilitando a conexão entre as pessoas, os da Pixar atingiram-nos de outra maneira: nos transformando novamente em crianças, com uma magia que há muito não se via no cinema, talvez desde os tempos áureos da Disney.

Como Érico Borgo, editor do Omelete, comentou no twitter, esta comoção em torno de sua morte mostra que o mundo já é cyberpunk. Mas também mostra que, como sempre na história humana, precisamos de ídolos e os construímos, idealizações em cima de pessoas (cujas naturezas cheias de áreas cinzas vão sendo apagadas com o tempo) que representaram os valores cultuados de uma época. Jobs representou inovação, em um mundo desesperado por substituir o velho pelo novo, mas que acaba por sempre fazer releituras deste velho.

Jobs, claro, deve ser analisado como todo homem, com seus defeitos e qualidades. Mas, neste momento, talvez possamos esquecer um pouco do cinismo que parece obrigatório em nossa geração e bater palmas a um homem que soube escrever seu nome na história, nem que seja na nossa história particular.

 
 

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